O REGRESSO DAS VIRGENS ESCANDALIZADAS
Não muito longe da minha casa de Infância vivia a menina Isabelinha com as duas afilhadas. Era uma senhora, devia ir perto dos quarenta, o que para mim era ser velha (pelo que me fazia confusão chamarem-lhe “menina”), muito sóbria, continuamente zangada com o mundo, extraordinariamente devota e que conservava a castidade, como gostava de deixar claro nos seus atos e conversas. Se o tempo o permitisse, ou seja, se não chovesse, a menina Isabelinha colocava a sua cadeira de palha cá fora onde se exibia na arte da costura; se o tempo estivesse molhado, ficava em casa, com a porta religiosamente aberta, que a sua vida era uma transparência e gostava de abordar quem passasse, para lhe falar, para ficar à conversa, uma vezes quase sussurrando – quando se tratava de mexeriquices – outras erguendo a voz e de mãos à cintura – quando se tratava de falar do mundo. O mundo era a cidade e as suas poucas-vergonhas. A menina Isabelinha era inclemente perante o pecado que grassava e denunciava-o na re...