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O REGRESSO DAS VIRGENS ESCANDALIZADAS

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Não muito longe da minha casa de Infância vivia a menina Isabelinha com as duas afilhadas. Era uma senhora, devia ir perto dos quarenta, o que para mim era ser velha (pelo que me fazia confusão chamarem-lhe “menina”), muito sóbria, continuamente zangada com o mundo, extraordinariamente devota e que conservava a castidade, como gostava de deixar claro nos seus atos e conversas. Se o tempo o permitisse, ou seja, se não chovesse, a menina Isabelinha colocava a sua cadeira de palha cá fora onde se exibia na arte da costura; se o tempo estivesse molhado, ficava em casa, com a porta religiosamente aberta, que a sua vida era uma transparência e gostava de abordar quem passasse, para lhe falar, para ficar à conversa, uma vezes quase sussurrando – quando se tratava de mexeriquices – outras erguendo a voz e de mãos à cintura – quando se tratava de falar do mundo. O mundo era a cidade e as suas poucas-vergonhas. A menina Isabelinha era inclemente perante o pecado que grassava e denunciava-o na re...

A "A das Artes" fechou.

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A A das Artes fechou. Conheci a A das Artes em 2007. Tinha acabado de lançar, em edição de autor, o Como se de uma fábula se tratasse . Falei com o Joaquim Gonçalves e fizemos uma apresentação. Desde o primeiro momento me encantou a A das Artes . Não pelo espaço, o natural e sempre belo espaço de uma livraria, mas pela devoção do livreiro, a sua simpatia, o entusiasmo com que falava dos livros. Cedo percebi que a A das Artes era um templo em Sines. Regressei algumas vezes, como cliente e autor, sempre encantado com a livraria e o Joaquim. Deu-me a conhecer vários escritores de língua portuguesa, o que bastaria para lhe estar eternamente grato. A livraria/templo de que falo foi várias vezes distinguida como “a melhor livraria do país”, numa votação da APEL. De nada serviram tais honrarias. Agora, a A das Artes encerrou. Na verdade, há anos que só o amor aos livros do Joaquim a mantinha aberta. Dir-me-ão: pois, os tempos, é inevitável. Assim será, as grandes superfícies, os livros ...